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BioModelos nos cursos de Medicina: uma alternativa ao uso de cadáveres

Estudantes de Medicina devem estar muito bem preparados para os desafios que vão enfrentar em sua prática profissional. Por isso, é fundamental que tenham aulas de anatomia completas, em que possam compreender como o corpo e todos os órgãos humanos funcionam. Assim, é comum que as instituições utilizem cadáveres humanos para ilustrar esse aprendizado.

No entanto, os cadáveres são caros, têm uma série de implicações éticas, são disponibilizados apenas para o curso de Medicina – não o de Enfermagem ou Fisioterapia, por exemplo – e estão cada vez mais escassos – nos cinco primeiros meses do ano de 2015, a Universidade de São Paulo (USP), para citar um caso, recebeu somente cinco cadáveres. Como são poucos os corpos a serem estudados, muitos alunos veem os órgãos já dissecados e não podem realmente explorá-los. Como resolver esse problema?


“A Lição de Anatomia do Dr. Tulp”, pintura de Rembrandt de 1632, mostra como o uso de cadáveres no ensino da Medicina é antigo

Este é mais um entrave da área da saúde que os BioModelos podem ajudar a reverter. Hoje, alguns profissionais já utilizam as réplicas de órgãos e corpos humanos impressos em 3D para aulas e apresentações em congressos, e a tendência é que esse movimento cresça. Afinal, diferentemente dos modelos anatômicos usados nas faculdades, os BioModelos podem ser cortados, dissecados e suturados – como os cadáveres, mas sem suas desvantagens, e com a possibilidade de serem reproduzidos diversas vezes.

A iniciativa já se tornou prática em alguns lugares do mundo: para citar um caso, a Universidade de Monash, na Austrália, firmou uma parceria com uma empresa alemã e hoje comercializa kits de anatomia para estudantes com réplicas de órgãos e membros humanos todos impressos em 3D (saiba mais sobre a experiência aqui https://3dprint.com/68721/3d-printed-anatomy-series/).

O doutor Luiz Antônio Rivetti, que foi chefe da cirurgia cardiovascular do hospital Santa Casa de São Paulo por 25 anos, é um dos médicos que têm se beneficiado desse uso por aqui, e vê uma grande importância dos modelos em 3D para a história da Medicina: “Acho que tivemos três evoluções como profissionais: a primeira foi a descoberta do DNA, que culminou no mapeamento do genoma; a segunda foi a informática, com a chegada dos computadores; e a terceira, para mim, é a impressão em 3D”.

O doutor Rivetti acredita que, com os BioModelos, será possível estudar órgãos de maneira mais simples e ter um maior volume de objetos de pesquisa. “A impressão 3D possibilita ter 200 mãos, 200 corações, 200 cérebros para estudar. É uma tecnologia que veio para ajudar o professor, o aluno, o médico, o cirurgião. É um passo sem retorno, uma evolução, e cada vez mais vamos descobrindo suas possibilidades”, diz.


Alguns cursos usam apenas modelos plásticos nas aulas (Foto: University of Exeter)

Além disso, o especialista ressalta a diferença que é ver uma imagem em um livro ou mesmo em 3D e ter o elemento sólido em mãos, o que pode beneficiar uma série de especialistas e de pesquisadores, especialmente no caso de avaliações de aneurismas vasculares, da identificação de problemas na área da nefrologia e na investigação de tumores.

Doutor Rivetti destaca que poder imprimir, por exemplo, um tumor antes de uma operação, a fim de se compreender perfeitamente sua dimensão e localização, e poder planejar a cirurgia, garante mais precisão e segurança para o paciente. Trata-se de um ganho imenso para quem será submetido ao procedimento, e um enorme passo para a carreira do profissional: “Se você faz um BioModelo para uma cirurgia, você se diferencia, se especializa e agrega muito mais conhecimento. Assim, você vai se distinguindo por uma excelência”.

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